Artista Visual e professor. Paulista de Santo André, nasceu em 1965, faz pesquisa acerca das narrativas históricas e a confluência da diáspora africana. Atualmente, sua produção poética está focada nas percepções estéticas e culturais da africanidade social brasileira. Coordenador do curso de artes visuais da UNIMES e membro da diretoria da Organização Paulista dos Arte Educadores – OPAE.
AJABÓ: Imagens apagadas, porém presentes
O projeto expositivo tem como proposição pensar o Brasil comum, ou seja, em um Brasil-Relação, articulado ao conceito de Sérgio Buarque de Holanda, em “Raizes do Brasil”, a partir da perspectiva histórica e sociológica, em que as raízes culturais e estruturais moldaram a sociedade brasileira. A “Crioulização” com o propósito de compreender que nossa cultura não se limita a identidades fixas e unitárias, ou saberes postos como essenciais, mas, sobretudo, pensar a partir conceitos como constante devir, movimento-transformação-ecossistemas poéticos, relacionais e porosos. A reflexão sobre representação do Ajabó, para entender a riqueza da cultura afro-brasileira e propor investigação crítica. A partir de elementos que não são meramente utilitários foi necessário conhecer os significados simbólicos e históricos do quiabo, gamelas, entre outros alimentos que conectam ao passado ancestral com o presente. As gamelas, por exemplo, são mais do que simples recipientes para alimentos, são elementos que fortalecem e celebram a identidade e o espírito do povo negro em sua religiosidade. O projeto do artista Rubens, são antípodas ao abordar e incorporar esses elementos culturais. Sua idiossincrasia atua como uma forma de resistência contra paradigmas eurocêntricos e hegemônicos. Expressões bi e tridimensionais resgatam e valorizam tradições ancestrais, ao mesmo tempo confronta as narrativas dominantes na eterna objetificação das culturas afro e indígenas. Assim, a poética documento-reflexão celebra a riqueza cultural de estruturas arraigadas desses povos e promovem análises/conhecimento/reconhecimento
de diversidades, a partir da cosmovisão da identidade brasileira.
A série Gargalheira explorada no contexto colonial iniciou um processo de exclusão, no campo socioeconômico, cultural, religioso e artístico. Atualmente, identificamos a gargalheira atualizada em atividades, como uberização, precarização laboral, etc. A série artística explora essa reflexão.
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